Do travesseiro de tijolo ao mistério da água em túmulo: os segredos do padre Donizetti no interior de SP

  • 18/06/2026
(Foto: Reprodução)
Do travesseiro de tijolo ao mistério da água em túmulo: os segredos do padre Donizetti O mês de junho de 2026 marca um centenário histórico para os devotos do Padre Donizete Tavares de Lima. Há 100 anos, em junho de 1926, o religioso chegava ao município de Tambaú (SP) para assumir como pároco da Igreja Santo Antônio — marco inicial de uma trajetória repleta de fé, fenômenos inexplicáveis, curas impossíveis e forte apelo social. Para celebrar a data, a cidade realiza uma semana de comemorações que se encerra no próximo domingo (21), com a 50ª edição da Marcha da Fé. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Um dos 16 filhos da professora Francisca e do advogado Tristão, Donizetti nasceu em Cássia (MG) e ficou conhecido pela trajetória cercada de relatos milagrosos em Tambaú. Ele foi beatificado em 2019, após o Papa Francisco reconhecer o milagre que curou os pés tortos de Bruno Henrique Arruda de Oliveira. Para ser canonizado, é necessário o reconhecimento de mais um milagre do beato. O mistério da água e a Igreja de Santo Antônio A história do padre Donizetti é interligada a eventos considerados milagrosos, muitos deles relacionados à água. A imagem de Nossa Senhora Aparecida intacta (1927–1929): Em 1927, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida chegou à cidade sob forte chuva, mas os relatos afirmam que a água não atingia a procissão. Dois anos depois, em 1929, um incêndio destruiu completamente a Igreja Santo Antônio. A única peça que sobrou intacta, inclusive com seu manto de seda, foi a mesma imagem de madeira de Nossa Senhora. A igreja foi reconstruída e reinaugurada no dia 12 de junho. Aparições na garrafa: Nos anos seguintes, fiéis relatavam enxergar a imagem de Nossa Senhora Aparecida dentro de garrafas de água e óleo que eram erguidas no momento em que o padre dava a bênção da janela de sua casa. As gotas inexplicáveis: Durante o processo de beatificação, o Vaticano realizou a exumação do corpo do religioso e o caixão boiava em uma grande poça d'água subterrânea. Atualmente, o túmulo do padre recebeu um fechamento de vidro que permanece constantemente coberto por bolinhas de água sem explicação. O mesmo fenômeno ocorre em uma placa de vidro instalada no antigo serpentário de sua casa. O voto de pobreza e o travesseiro de tijolo 100 anos após chegada de Padre Donizetti a Tambaú, legado de fé e milagres segue vivo A antiga casa paroquial onde o padre Donizete morou por 35 anos transformou-se em um museu aberto à visitação pública. O local preserva o mobiliário original de madeira, vestimentas sacras, batinas e os restos do caixão e da vestimenta da exumação. O quarto do religioso é um dos pontos mais visitados. Embora fosse um padre diocesano — categoria que não exige o voto de pobreza —, ele optou por abdicar das riquezas. A antiga casa paroquial onde o padre Donizete morou por 35 anos transformou-se em um museu aberto à visitação pública Fabio de Souza/EPTV Padre Donizete dormia diretamente no chão do quarto e utilizava bíblias e tijolos como travesseiro. A cama hospitalar exposta no local só foi aceita por ele nos momentos finais de sua vida, por recomendação médica, após ser internado na Santa Casa. O espaço do museu também abriga o antigo serpentário. Na época, devido ao grande número de fazendas, pessoas eram picadas constantemente. O padre recolhia as cobras na casa paroquial e as enviava de trem para o Instituto Butantan, em São Paulo, recebendo em troca o soro antiofídico que salvava os moradores locais. Antigo serpentário Fabio de Souza/EPTV A Sala dos Milagres e o reconhecimento do Vaticano No auge das grandes peregrinações, entre os anos de 1954 e 1955, Tambaú chegou a receber 200 mil pessoas em um único dia e 3 milhões de peregrinos em um semestre. O museu possui a "Sala dos Milagres", que acumula milhares de objetos deixados por fiéis em agradecimento a curas recebidas: Peças de gesso (representando pernas, pés e cabeças); Botas e equipamentos de ferro antigos; Muletas, andadores e bengalas; Caixas cheias de óculos e capacetes. Um mapa-múndi exposto no local exibe alfinetes que demarcam relatos de milagres vindos de várias partes do mundo. O arquivo conta com 14 pastas de correspondências internacionais escritas em línguas como inglês, espanhol e italiano. Sala dos Milagres no Museu do Padre Donizetti, em Tambaú Fabio de Souza/EPTV O Milagre da Beatificação Embora existam registros históricos famosos em vida — como o caso do menino "Braguinha", que voltou a andar e jogar bola após retirar próteses de ferro —, o milagre que validou a beatificação foi o do menino Bruno Henrique Arruda de Oliveira. Bruno nasceu com uma deformidade congênita grave nos dois pés. Em maio de 2006, sua mãe pediu a intercessão do Padre Donizete e, em setembro do mesmo ano, a deformidade desapareceu. A cura inexplicável foi constatada por um médico em 2007, reconhecida oficialmente pelo Papa Francisco em abril de 2019 e culminou na cerimônia de beatificação em novembro de 2019. O legado de Padre Donizete mistura-se com a história da cidade de Tambaú, sintetizado por sua frase mais célebre: "Para aquele que crê, nenhuma explicação é necessária. Para aquele que não crê, nenhuma explicação é suficiente." O milagre que validou a beatificação do padre Donizetti foi o do menino Bruno Henrique Arruda de Oliveira EPTV/Reprodução VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/06/18/do-travesseiro-de-tijolo-ao-misterio-da-agua-em-tumulo-os-segredos-do-padre-donizetti-no-interior-de-sp.ghtml


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